{"id":70,"date":"2025-08-31T02:09:25","date_gmt":"2025-08-31T02:09:25","guid":{"rendered":"https:\/\/murillorosa.com.br\/blog\/?p=70"},"modified":"2026-04-30T16:47:15","modified_gmt":"2026-04-30T16:47:15","slug":"perda-de-uma-chance","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/murillorosa.com.br\/blog\/perda-de-uma-chance\/","title":{"rendered":"M\u00e3e ser\u00e1 indenizada ap\u00f3s perda de filha e beb\u00ea por falha m\u00e9dica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma decis\u00e3o recente da Justi\u00e7a de Goi\u00e1s determinou que uma m\u00e3e seja indenizada em R$ 200 mil devido \u00e0 morte de sua filha gestante e do beb\u00ea, decorrentes de condutas m\u00e9dicas consideradas inadequadas. O caso, julgado na 5\u00aa Vara C\u00edvel e de Arbitragem de Goi\u00e2nia, aplicou a teoria da &#8220;perda de uma chance&#8221;, reconhecendo que as falhas no atendimento suprimiram oportunidades reais de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Entenda o caso<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gestante, que possu\u00eda diagn\u00f3stico de anemia falciforme, foi internada com sintomas de dispneia (dificuldade para respirar) e queda de satura\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio. Durante a interna\u00e7\u00e3o, a paciente sofreu uma parada cardiorrespirat\u00f3ria. Conforme os protocolos m\u00e9dicos para gestantes nessa situa\u00e7\u00e3o, a histerotomia de reanima\u00e7\u00e3o (cesariana de emerg\u00eancia) deveria ter sido realizada de forma tempestiva. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o procedimento s\u00f3 ocorreu mais de uma hora ap\u00f3s a parada, quando tanto a m\u00e3e quanto o beb\u00ea j\u00e1 n\u00e3o apresentavam sinais de vida. Al\u00e9m disso, houve demora na realiza\u00e7\u00e3o de uma transfus\u00e3o sangu\u00ednea, medida essencial para a estabiliza\u00e7\u00e3o do quadro da paciente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Argumentos da defesa e decis\u00e3o judicial<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e9dica intensivista envolvida no caso alegou ter adotado todos os cuidados compat\u00edveis com sua fun\u00e7\u00e3o, argumentando que a decis\u00e3o sobre o parto caberia ao obstetra. O hospital, por sua vez, defendeu a inexist\u00eancia de nexo causal entre a conduta de sua equipe e os \u00f3bitos, atribuindo as mortes \u00e0s complica\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0 doen\u00e7a da gestante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O juiz de Direito respons\u00e1vel pelo caso destacou que o laudo pericial classificou as condutas como &#8220;inadequadas&#8221; e &#8220;fora das chamadas boas pr\u00e1ticas m\u00e9dicas&#8221;. O documento pericial apontou especificamente a aus\u00eancia da histerotomia no quinto minuto da parada cardiorrespirat\u00f3ria e a demora na transfus\u00e3o de sangue como fatores que reduziram significativamente as chances de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O magistrado fundamentou sua decis\u00e3o afirmando que &#8220;a conduta da requerida, ao n\u00e3o optar pela realiza\u00e7\u00e3o da histerotomia e n\u00e3o chamar a obstetra de plant\u00e3o do hospital para realizar o procedimento na UTI, privou tanto a paciente quanto o feto das chances estatisticamente demonstr\u00e1veis de sobreviv\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante disso, a m\u00e9dica intensivista e o hospital foram condenados solidariamente a pagar R$ 200 mil em indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e3e da gestante, al\u00e9m das custas processuais e honor\u00e1rios advocat\u00edcios. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma decis\u00e3o recente da Justi\u00e7a de Goi\u00e1s determinou que uma m\u00e3e seja indenizada em R$ 200 mil devido \u00e0 morte de sua filha gestante e do beb\u00ea, decorrentes de condutas m\u00e9dicas consideradas inadequadas. 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