{"id":83,"date":"2025-09-04T21:10:05","date_gmt":"2025-09-04T21:10:05","guid":{"rendered":"https:\/\/murillorosa.com.br\/blog\/?p=83"},"modified":"2026-04-30T17:10:05","modified_gmt":"2026-04-30T17:10:05","slug":"stj-pensao-alimenticia-ex-esposa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/murillorosa.com.br\/blog\/stj-pensao-alimenticia-ex-esposa\/","title":{"rendered":"Ex-marido que pagou pens\u00e3o indevida para a ex-esposa por 25 anos dever\u00e1 continuar pagando, decide STJ"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar que um ato cont\u00ednuo, mesmo que n\u00e3o seja uma obriga\u00e7\u00e3o formal, pode gerar direitos e expectativas para outra pessoa? No universo jur\u00eddico, essa \u00e9 uma realidade que o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) recentemente confirmou em um caso que acende um alerta importante para quem paga pens\u00e3o aliment\u00edcia. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o, que envolve a manuten\u00e7\u00e3o do pagamento de pens\u00e3o aliment\u00edcia por um ex-marido \u00e0 sua ex-esposa ap\u00f3s 25 anos, mesmo sem uma obriga\u00e7\u00e3o inicial, demonstra como a conduta prolongada pode criar um v\u00ednculo jur\u00eddico inesperado. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este caso n\u00e3o \u00e9 apenas sobre pens\u00e3o, \u00e9 sobre como a vida real e as rela\u00e7\u00f5es humanas se entrela\u00e7am com o direito, impactando diretamente o seu dia a dia, seja em quest\u00f5es de fam\u00edlia, contratos ou at\u00e9 mesmo em suas finan\u00e7as. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entender essa decis\u00e3o \u00e9 crucial para compreender seus direitos e deveres em situa\u00e7\u00f5es semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resumo da Decis\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso que chegou ao STJ envolveu um casal que se separou e, em 1993, fez um acordo judicial para o pagamento de pens\u00e3o aliment\u00edcia. Inicialmente, a pens\u00e3o seria paga por um ano. No entanto, em 1995, as partes tentaram fazer um novo acordo para que o pagamento continuasse por tempo indeterminado. Esse segundo acordo n\u00e3o foi formalizado judicialmente, mas, mesmo assim, o ex-marido continuou pagando a pens\u00e3o por 25 anos, at\u00e9 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, o ex-marido entrou com uma A\u00e7\u00e3o para parar de pagar a pens\u00e3o, alegando que n\u00e3o tinha mais condi\u00e7\u00f5es financeiras devido a uma doen\u00e7a. A Justi\u00e7a do Rio de Janeiro, em primeira inst\u00e2ncia, concordou com ele e o desobrigou do pagamento. No entanto, a ex-mulher recorreu ao STJ, argumentando que, por ser idosa e enferma, n\u00e3o tinha como se recolocar no mercado de trabalho e dependia da pens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 3\u00aa Turma do STJ, por unanimidade, decidiu a favor da ex-mulher. A Corte aplicou um conceito jur\u00eddico chamado <em>supressio <\/em>(supress\u00e3o) e <em>surrectio <\/em>(surgimento). Em termos simples, a <em>supressio <\/em>ocorre quando algu\u00e9m tem um direito, mas n\u00e3o o exerce por um longo tempo, criando a expectativa de que n\u00e3o o far\u00e1 mais. No caso, o ex-marido tinha o direito de parar de pagar a pens\u00e3o, mas ao continuar pagando por 25 anos, ele &#8216;suprimiu&#8217; esse direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, a <em>surrectio <\/em>\u00e9 o surgimento de um direito para a outra parte, justamente porque a primeira n\u00e3o exerceu o seu. Assim, para a ex-mulher, surgiu o direito de continuar recebendo a pens\u00e3o, pois ela criou uma leg\u00edtima expectativa de que o pagamento continuaria. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ministra Nancy Andrighi, Relatora do caso, destacou que a conduta do ex-marido por mais de duas d\u00e9cadas estabilizou a situa\u00e7\u00e3o de fato, gerando essa expectativa leg\u00edtima. A Decis\u00e3o tamb\u00e9m considerou a perspectiva de g\u00eanero, j\u00e1 que a ex-mulher havia abdicado de sua carreira para acompanhar o ex-marido em uma mudan\u00e7a de cidade durante o casamento, o que impactou sua capacidade de reinser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que essa decis\u00e3o significa para voc\u00ea?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa decis\u00e3o do STJ \u00e9 um marco importante e serve como um alerta para todos n\u00f3s. Ela refor\u00e7a a ideia de que a boa-f\u00e9 e a confian\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o valores protegidos pelo Direito. Mesmo que n\u00e3o haja um contrato formal ou uma obriga\u00e7\u00e3o expressa, a conduta reiterada e prolongada de uma das partes pode gerar direitos e deveres para a outra. Isso \u00e9 especialmente relevante em rela\u00e7\u00f5es de longo prazo, como casamentos, uni\u00f5es est\u00e1veis, ou at\u00e9 mesmo em rela\u00e7\u00f5es comerciais e de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o cidad\u00e3o comum, essa decis\u00e3o significa que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2022 A\u00e7\u00f5es falam mais que palavras (e documentos): Se voc\u00ea se compromete a fazer algo, mesmo que informalmente, e mant\u00e9m essa conduta por um longo per\u00edodo, pode ser que o Direito entenda que voc\u00ea criou uma expectativa leg\u00edtima na outra parte, e essa expectativa pode se tornar um direito exig\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2022 Cuidado com a <em>supressio <\/em>e a <em>surrectio<\/em>: Esses conceitos jur\u00eddicos, embora complexos, s\u00e3o muito presentes no dia a dia. Se voc\u00ea tem um direito e n\u00e3o o exerce por muito tempo, pode perd\u00ea-lo (<em>supressio<\/em>). E, por outro lado, se algu\u00e9m se beneficia de uma situa\u00e7\u00e3o que se prolonga no tempo, pode adquirir um direito (<em>surrectio<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2022 Impacto nas rela\u00e7\u00f5es familiares: Em casos de div\u00f3rcio ou dissolu\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o est\u00e1vel, a Decis\u00e3o mostra que a pens\u00e3o aliment\u00edcia n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de necessidade e possibilidade, mas tamb\u00e9m de expectativa gerada ao longo do tempo. Isso \u00e9 particularmente sens\u00edvel quando um dos c\u00f4njuges abdicou de sua vida profissional ou pessoal em prol da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2022 Relev\u00e2ncia da perspectiva de g\u00eanero: O STJ, ao considerar a perspectiva de g\u00eanero, reconheceu que as mulheres, muitas vezes, s\u00e3o as mais prejudicadas em separa\u00e7\u00f5es, especialmente quando dedicam suas vidas \u00e0 fam\u00edlia e ao lar. Essa abordagem busca corrigir desigualdades hist\u00f3ricas e garantir a dignidade da pessoa humana.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cuidados que voc\u00ea deve ter<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante dessa Decis\u00e3o, \u00e9 fundamental que voc\u00ea esteja atento \u00e0s suas a\u00e7\u00f5es e \u00e0s expectativas que elas podem gerar. Se voc\u00ea tem acordos informais, especialmente aqueles que envolvem pagamentos ou benef\u00edcios cont\u00ednuos, \u00e9 sempre recomend\u00e1vel formaliz\u00e1-los. A clareza e a documenta\u00e7\u00e3o evitam mal-entendidos e futuras disputas judiciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em caso de d\u00favidas sobre pens\u00e3o aliment\u00edcia, div\u00f3rcio, contratos ou qualquer outra quest\u00e3o de direito privado, procure sempre um advogado. O profissional poder\u00e1 analisar seu caso espec\u00edfico e orient\u00e1-lo sobre os melhores caminhos a seguir, garantindo que seus direitos sejam protegidos e que voc\u00ea n\u00e3o crie ou sofra com expectativas jur\u00eddicas indesejadas. A preven\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre o melhor rem\u00e9dio no mundo jur\u00eddico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar que um ato cont\u00ednuo, mesmo que n\u00e3o seja uma obriga\u00e7\u00e3o formal, pode gerar direitos e expectativas para outra pessoa? No universo jur\u00eddico, essa \u00e9 uma realidade que o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) recentemente confirmou em um caso que acende um alerta importante para quem paga pens\u00e3o aliment\u00edcia. 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