{"id":87,"date":"2025-09-05T21:22:56","date_gmt":"2025-09-05T21:22:56","guid":{"rendered":"https:\/\/murillorosa.com.br\/blog\/?p=87"},"modified":"2026-04-30T17:15:29","modified_gmt":"2026-04-30T17:15:29","slug":"danos-morais-corte-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/murillorosa.com.br\/blog\/danos-morais-corte-energia\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia receber\u00e1 indeniza\u00e7\u00e3o por interrup\u00e7\u00e3o indevida de energia em per\u00edodo de frio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma fam\u00edlia residente em Limeira, S\u00e3o Paulo, obteve uma vit\u00f3ria judicial significativa ao ser concedida uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 8 mil por danos morais, devido \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o indevida do fornecimento de energia el\u00e9trica. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Senten\u00e7a, proferida pela ju\u00edza Graziela da Silva Nery, da Vara da Fazenda P\u00fablica da comarca, sublinha a responsabilidade das concession\u00e1rias de servi\u00e7os essenciais e a prote\u00e7\u00e3o do consumidor em situa\u00e7\u00f5es de falha na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Este caso ressalta a import\u00e2ncia do reconhecimento do dano moral por corte energia indevido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Contexto do Caso: Tr\u00eas Dias Sem Luz em Meio ao Frio<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O incidente ocorreu em 17 de junho de 2025, quando o consumidor encontrou o medidor de sua resid\u00eancia lacrado, resultando na suspens\u00e3o do servi\u00e7o de energia. Apesar dos esfor\u00e7os e contatos sucessivos com a concession\u00e1ria, a fam\u00edlia, composta pelo cliente, sua esposa e um filho de apenas tr\u00eas anos, permaneceu sem eletricidade por tr\u00eas dias consecutivos. Este per\u00edodo foi agravado pelas baixas temperaturas, expondo a fam\u00edlia a condi\u00e7\u00f5es adversas e \u00e0 priva\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os b\u00e1sicos essenciais para o bem-estar e a dignidade humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cliente alegou que a pr\u00f3pria empresa, em um primeiro momento, teria reconhecido o erro, sugerindo uma poss\u00edvel confus\u00e3o entre o medidor de sua resid\u00eancia e o de um vizinho, o que corrobora a tese de falha operacional por parte da concession\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Argumentos da Concession\u00e1ria <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua defesa, a empresa de eletricidade tentou justificar o corte alegando furto de cabos e uma suposta religa\u00e7\u00e3o irregular por parte do consumidor, transferindo a responsabilidade pelo ocorrido. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, a ju\u00edza do caso refutou veementemente essas alega\u00e7\u00f5es. A magistrada destacou a aus\u00eancia de provas concretas que sustentassem a vers\u00e3o da concession\u00e1ria, al\u00e9m de apontar o descumprimento do prazo judicial estabelecido para a realiza\u00e7\u00e3o de uma vistoria t\u00e9cnica e a exist\u00eancia de contradi\u00e7\u00f5es nos argumentos apresentados pela defesa da empresa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dano Moral Presumido e a Jurisprud\u00eancia do STJ<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Senten\u00e7a enfatizou que a interrup\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o essencial, como o fornecimento de energia el\u00e9trica, especialmente quando n\u00e3o h\u00e1 inadimpl\u00eancia por parte do consumidor, configura uma falha grave na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o. Tal falha, segundo a magistrada, gera dano moral presumido, um entendimento j\u00e1 consolidado pela jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conceito de dano moral presumido, ou<em> in re ipsa<\/em>, significa que o dano existe pela pr\u00f3pria ocorr\u00eancia do fato, n\u00e3o necessitando de prova de preju\u00edzo efetivo para sua configura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STJ tem reiteradamente afirmado que o corte indevido de energia el\u00e9trica, por se tratar de um servi\u00e7o essencial \u00e0 dignidade da pessoa humana, causa dano moral <em>in re ipsa<\/em>, ou seja, independe de comprova\u00e7\u00e3o de abalo psicol\u00f3gico ou sofrimento. A interrup\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 suficiente para caracterizar a les\u00e3o moral, dada a essencialidade do servi\u00e7o para a vida moderna e o conforto m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A Indeniza\u00e7\u00e3o e o Reconhecimento do Descaso<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ju\u00edza concluiu que o epis\u00f3dio demonstrou um claro descaso por parte da concession\u00e1ria. Al\u00e9m de falhar na presta\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o fundamental, a empresa imputou uma conduta indevida ao consumidor sem qualquer fundamento probat\u00f3rio. A indeniza\u00e7\u00e3o fixada em R$ 8 mil visa compensar os transtornos, o sofrimento e a viola\u00e7\u00e3o da dignidade da fam\u00edlia durante os tr\u00eas dias sem energia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma fam\u00edlia residente em Limeira, S\u00e3o Paulo, obteve uma vit\u00f3ria judicial significativa ao ser concedida uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 8 mil por danos morais, devido \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o indevida do fornecimento de energia el\u00e9trica. 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